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23 de abr. de 2013
Governo dá guaribada em números do programa "ciência sem fronteira"
Vou repetir ad eternum: os burocratas do governo não sobrevivem sem números. Por isso, encampe a ideia: "SEM AUMENTO, SEM NOTA".
Saiu na Folha de São Paulo:
O Ministério da Educação passou a computar entre os alunos do Ciência sem Fronteiras, programa de estudo no exterior, os bolsistas regulares da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão de incentivo à pesquisa.
A maquiagem ocorre há pelo menos um mês e meio, mas, na sexta-feira passada, a Capes informou aos bolsistas de seus programas regulares que eles seriam oficialmente migrados para o Ciência sem Fronteiras se fossem "elegíveis", isto é, se estivessem dentro dos critérios de seleção do programa.
No comunicado, a Capes diz que a migração é para "fins operacionais", "com o objetivo de oferecer isonomia no tratamento dispensado aos seus beneficiários".
O PROGRAMA
Lançado em 2011, o Ciência sem Fronteiras é a menina dos olhos da presidente Dilma, que estabeleceu a meta de enviar 101 mil bolsistas para o exterior até 2015. O objetivo é considerado irrealista, reservadamente, por envolvidos em sua execução.
A Capes mesmo já disse ter dificuldades estruturais para cumpri-lo: antes do programa, tinha cerca de 4.000 bolsistas. Até fevereiro, já haviam sido concedidas 22.646 bolsas do Ciência sem Fronteiras, das quais 19.601 começaram a ser pagas.
O programa está sob responsabilidade de Aloizio Mercadante (Educação), que o lançou quando era titular do Ministério da Ciência e Tecnologia. Ele aspira concorrer ao governo paulista ou assumir a Casa Civil em 2014.
As bolsas regulares e o Ciência sem Fronteiras oferecem remuneração semelhante, mas a seleção e a aceitação internacional são diferentes. O programa também engloba uma parcela menor das áreas de conhecimento, ao praticamente excluir as ciências humanas.
Parte expressiva das 19.601 bolsas implementadas pelo programa até agora pode ser de alunos que não foram selecionados por meio dele.
A Folha cruzou nomes de estudantes aprovados nos editais de doutorado regular da Capes no exterior com a lista de alunos do Ciência sem Fronteiras disponível no site oficial do programa.
Em 2012, foram 280 aprovados no programa regular de doutorado fora do país. Pelo menos 60 desses estudantes constavam da lista de bolsistas do Ciência sem Fronteiras sem que estivessem efetivamente dentro dele.
A Folha entrou em contato com 25 desses bolsistas em oito países. As respostas revelaram surpresa por parte dos alunos. Alguns nem sequer tinham se inscrito no programa. Três relataram terem sido reprovados no Ciência sem Fronteiras.
Estudante de doutorado na Freie Universität Berlin, na Alemanha, Grégori Romero chegou a tentar o Ciência sem Fronteiras. Quando se inscreveu, conta, não tinha preferência entre os programas.
"Mas, agora que tenho a da Capes/Daad, acho que é uma vantagem, pois mesmo recebendo o auxílio do Brasil, sou aluno Daad, que é um órgão alemão com fama internacional. É um programa mais tradicional, com critérios de seleção mais elaborados."
André Hallack, doutorando na Universidade de Oxford (Reino Unido), conta que foi aprovado por ambas as bolsas, "que são praticamente iguais". "Quando saiu o resultado do Ciência Sem Fronteiras, eu já estava bem fechado com a bolsa da Capes, então ignorei o processo dele."
Alguns dos estudantes ouvidos relataram ter questionado a Capes por e-mail. Eles receberam como resposta que a manobra é "para dar estatística" e cumprir "metas do governo federal".
A distorção pode ser ainda maior, já que a Folha observou também, em outros editais de doutorado pleno e doutorado-sanduíche, mais nomes repetidos.
Foi solicitada à Capes a lista de bolsistas regulares, mas a instituição alegou falta de estrutura para entregá-la, para saber quantos de fato são eles e se também estavam no Ciência sem Fronteiras.
O pedido foi feito novamente via Lei de Acesso à Informação, mas o governo ainda não respondeu.
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/04/1267095-manobra-do-governo-eleva-numero-de-programa-de-bolsas-no-exterior.shtml
17 de mar. de 2013
Mitos e verdades sobre a educação no Rio de Janeiro
Debate sobre a educação nas regiões metropolitanas, patrocinado pelo Instituto FHC, Brava e Fundação Lemann. Antes de assistir, confira os respectivos currículos dos patrocinadores:
- FHC: o presidente das privatizações;
- Instituto Brava: empresa catarinense de consultoria;
- Fundação Lemann: criada por Jorge Paulo Lemann, um dos controladores da Ambev, Burger King, Lojas Americanas, Submarino, entre outros.
Comentários:
Mito: a formação do professor, no Brasil, é muito inadequada.
Verdade: como em qualquer área, há aqueles que são incompetentes, mas a generalização induz a erros
de diagnóstico. Há muitos professores na rede pública que são mestres e doutores (eu sou um deles). Porém, não há o menor incentivo para que os docentes se aprimorem profissionalmente, nem condições mínimas para que realizem um trabalho satisfatório. Afinal, o Ivo Pitanguy, por mais gabaritado e reconhecido que seja, não conseguiria operar se o paciente fosse um leão selvagem, e o médico dispusesse somente de uma chave de roda e um alicate.
de diagnóstico. Há muitos professores na rede pública que são mestres e doutores (eu sou um deles). Porém, não há o menor incentivo para que os docentes se aprimorem profissionalmente, nem condições mínimas para que realizem um trabalho satisfatório. Afinal, o Ivo Pitanguy, por mais gabaritado e reconhecido que seja, não conseguiria operar se o paciente fosse um leão selvagem, e o médico dispusesse somente de uma chave de roda e um alicate.
Mito: gestores do governo são capazes de reconhecer quais conteúdos devem ou não ser lecionados nas universidades.
Verdade: gestor não possui capacidade técnica para avaliar o que deve ser lecionado nos cursos universitários. A visão do gestor sobre determinada área é utilitarista, muito diferente da visão científica. Além disso, deve ser considerado o fator "autonomia universitária".
Mito: São Paulo possui, há vários anos, uma política educacional sólida.
Verdade: depende do ponto de vista. Se for de desmantelamento e degradação do ensino público, há sim uma política sólida. Afinal, a rede pública de São Paulo possui índices péssimos, e salários tão pífios quanto no Rio de Janeiro.
Mito: o salário do professor no município do Rio é melhor que os pagos pelos demais municípios do estado.
Verdade: o salário está na média. Há municípios, como Duque de Caxias, que pagam até cerca de 50% a mais. É bom observar que a capital é mais rica que os demais municípios, e que seu custo de vida é muito mais elevado.
Mito: havia disparidade entre as escolas.
Verdade: ainda há disparidade. Para termos ideia, existem algumas pouquíssimas escolas que escolhem quais alunos podem estudar ali, as salas de aula são climatizadas e as turmas reduzidas. Essas, ostentam os melhores índices de desempenho e aparecem na revista Veja como sinais evidentes da melhoria na qualidade do ensino no Rio. Por outro lado, a esmagadora maioria recebe qualquer aluno (marginal, delinquente, problemático, incluído, etc), as turmas são cheias, e nem há sequer ventilador em todas as salas.
Mito: acabou a progressão automática.
Verdade: a progressão continua, posto que há uma série de subterfúgios criados pela SME para que os alunos sejam aprovados, como a média global, por exemplo (o sujeito leva bomba em matemática, português, geografia e história, mas vai muito bem em música e educação física. Pela média, ele é aprovado). Muitos alunos declarados como reprovados nos conselhos de classe são conduzidos à série seguinte a revelia dos professores e da direção da escola.
Mito: as provas de ciências, português e matemática, aplicadas pela SME, fazem parte da unificação do currículo escolar e permitem diagnosticar as deficiências dos alunos.
Verdade: observa-se facilmente que, muitas vezes, o conteúdo cobrado nas provas não tem a menor ligação com as propostas bimestrais. Além disso, a prova é de múltipla escolha, onde os alunos "chutam" as respostas. Muitos, aliás, nem leem a prova. Em matemática, especialmente, a maioria não efetua um cálculo sequer.
Mito: cadernos pedagógico (apostila) e portal de aulas digitais são materiais estruturados.
Verdade: as apostilas trazem um conteúdo sofrível e excessivamente sintético - quando não há erros notórios ou propaganda eleitoral do prefeito. As aulas digitais não passam de um site que custou um fortuna, mas cujo conteúdo é pouco utilizado por ser fraco demais.
Mito: A SME tenta trabalhar ao lado do professor.
Verdade: a secretária diz que o professor tem nível muito baixo; a cogitação dela assumir cargo no MEC foi motivo de duros protestos; os professores não têm autonomia para reprovar alunos; a secretária aliena-se das reclamações do professorado.
Mito: educopédia está dando muito certo.
Verdade: pouquíssimos professores a utilizam. Além disso, a rede de internet é precária e os aparelhos projetores não recebem manutenção, fatores que inviabilizam o acesso em muitas salas de aula.
Mito: a SME investiu muito na formação do professor.
Verdade: ser mestre ou doutor altera pouquíssimo o salário (uns cento e poucos reais a mais), e absolutamente nada na progressão da carreira (que não funciona há anos). A SME acredita que umas palestras no começo do ano letivo é "a" forma de capacitar o professor, caindo em evidente erro.
Mito: a SME rompeu com a ideia de imprimir marcas de governantes em prédios ou coisas que não são importantes à educação.
Verdade: a SME fez: GENTE, banco imobiliário do Dudu, campanha do Eduardo Paes nas apostilas, Ginásio Carioca, Ginásio do Samba, entre outras marcas não importantes mas vinculadas à imagem da gestão Paes como se fossem a salvação da lavoura. Além disso, em 2012, ano de eleição, a prefeitura doou aos alunos material completo, composto por mochila, cadernos, lápis... estampando enormemente a marca da prefeitura. Em 2013, ano que não é eleitoral, eles receberam uma pasta de plástico ordinário.
Mito: todos os novos concursos são para professores de 40h, como medida para fixar o professor.
Verdade: o edital para o cargo PI de História, por exemplo, foi retificado e passou a ser expresso que a carga horária dependerá de futura definição da SME. Além disso, no primeiro ano do mandato Paes, a SME divulgou circular pelas escolas onde informava que abriria a opção de escolha para os professores 16h ampliarem a carga horária. Estamos no segundo mandato e até agora só ficou nos planos.
_______________________________
Atualização:
Mentir para o povão que votou no Eduardo Paes eu até entendo, pois faz parte da política do voto de cabresto. Entendo, e fique claro que este editor não concorda.Porém, mentir para seus pares neoliberais, bancados por empresas, é uma falta de honestidade sem sentido.
Será que a coitada sofre de mitomania ou está vendendo algum produto?
9 de mar. de 2013
La educación no se vende... se defiende!
Quando uma empresa pública é privatizada, seja de qual ramo for, o grupo comprador (singelamente rotulado como "concessionário") tem em vista o lucro. Afinal, não é necessário ler todo o Das Kapital na língua de Goethe para compreender que o capitalismo é movimentado no sentido da obtenção do lucro.
Na história recente do Brasil, grandes empresas públicas, altamente lucrativas, foram privatizadas sem a menor cerimônia, como é o caso da Vale do Rio Doce. Outras, menores e menos lucrativas, também foram para a privada (não pude evitar o trocadilho), caso da Light ou da Barcas-S.A. A Vale cresceu, pois os investimentos se justificavam à medida que alavancariam sua lucratividade. Já a Light e as Barcas prestam serviços sofríveis, pois seja investindo ou deixando do jeito que está não vai alterar seus respectivos ganhos. Resumindo: como em qualquer outra empresa, pública ou não, o investimento é justificado pelo ganho esperado.
A educação privada é uma prestação de serviço. Assim como vamos à oficina consertar o carro e pagamos por este serviço, algo análogo acontece com as escolas particulares. Pensando por esse ângulo, se o proprietário do automóvel for abastado, leva seu Jaguar último tipo à autorizada e deixa lá uma pequena fortuna. Se for o dono de um fusquinha, leva na oficina da esquina. Assim também funciona com a educação. Há escolas cujas mensalidades são bem maiores que o salário do professor, e outras bem mais em conta. E a qualidade do serviço prestado costuma variar tanto quanto os valores cobrados. No fim da história, é o lucro que mantém tanto as oficinas quanto as escolas privadas funcionando.
Depois de tantos rodeios e explicações, vamos ao ponto: como funciona a privatização do ensino público? Conforme desenvolvemos até aqui, qualquer resposta deve ter por base a obtenção do lucro. O maior e mais próximo caso de privatização do ensino público ocorre no Chile. Por conta de uma série de medidas tomadas ainda no governo do ditador Augusto Pinochet, esse país possui um dos sistemas educacionais mais desiguais e caros do mundo (dados da Organização e Cooperação para o Desenvolvimento Econômico - OCDE). No país hermano, as universidades são pagas, e apenas cerca de 40% dos secundaristas estão no ensino público. Em 2011, milhares de estudantes e professores chilenos tomaram as ruas em protesto contra tal situação, e foram recebidos pela polícia com grau de violência que lembra muito os tempos de ditadura naquele pais (e no nosso, infelizmente).
Não é de hoje que grupos ligados aos empresários tentam privatizar a educação brasileira. Certamente deve ser uma excelente fonte de lucros para empresários e grupos especuladores, ávidos por engordarem seus cofres.
Pois o governo do município do Rio de Janeiro, que tem Eduardo Paes como prefeito e Cláudia Costin como secretária de educação, inaugurou a iniciativa de privatizar o ensino público da cidade. Por trás de uma série de siglas vazias de significado estão empresas de diferentes portes. Primeiro vamos às denominações: Ginásio Carioca, Ginásio Experimental de Novas Tecnologias, Escola do Amanhã, Ginásio do Samba, Ginásio do Esporte, Acelera, Se Liga, entres outras denominações ao gosto e imaginação dos burocratas que se reúnem na sede da prefeitura (prédio sem vistoria dos bombeiros nem habite-se, popularmente conhecido como "piranhão"). Todas capitaneadas pela dupla Paes-Costin. Aliás, Claudia Costin é uma economista que já foi ministra da Administração. Este, nada mais era do que um cargo burocrático criado para desburocratizar o funcionalismo federal! Com altíssimo grau de rejeição entre os profissionais do ensino, e acreditando com veemência que o professor brasileiro tem "nível muito baixo", a economista traça os caminhos de entrada de grandes empresas no processo de privatização do ensino: Fundação Telefônica|Vivo, Instituto Natura Intel, MSTech, Tamboro, Instituto Ayrton Senna, Instituto Conecta, Mind Lab, Microsoft, Sapienti, Cultura Inglesa, EvoBooks, Fundação Lemann, Cisco, Pete e Geekie. Para dourar a pílula, camuflam suas relações com o poder público por meio do código "parceria".
Aqui vale um adendo, o sistema de aula do futuro, também permeado por uma série de nomes sem o menor conteúdo (educopédia, escola 3.0, rioeduca, e outros), nada mais é que uma série de programas mequetrefes que qualquer grupo de estudantes de TI desenvolveria em troca de uma bolsa de iniciação científica (sou também programador, o que me habilita um pouco mais a analisar esse ramo). Porém, o "sistema" custou milhões e é uma bela tranqueira tanto do ponto de vista pedagógico quanto computacional. Notemos que a principal empresa desenvolvedora, MStech, já andou metida em maracutaias na Secretaria de Educação do Estado de SP, durante o governo Serra, com projetos aos moldes que estão implantando no Rio de Janeiro. Indo além, um de seus proprietários, Eduardo Martins Morgado, trabalhou no MEC, de 1996 a 2004, como consultor ad hoc na elaboração de editais e manuais técnicos junto à Secretaria de Educação a Distância - Programa Proinfo; também na elaboração de Editais de compras de microcomputadores e suporte às Comissões de Licitação, e como Coordenador Técnico do Projeto RIVED/MEC/UNESCO.
Com o currículo desse pessoal, há alguém que ainda acredite que a educação do Rio de Janeiro está trilhando o caminho correto? Será que empresas se metem na educação pública por caridade?
Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
Ler mais: http://namarianews.blogspot.com/2009/06/o-maravilhoso-mundo-dos-projetos.html#ixzz2N6NBCH3J
http://noticias.terra.com.br/educacao/chile-estudantes-e-docentes-pedem-educacao-gratuita-e-de-qualidade,4efb42ba7d2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
http://veja.abril.com.br/010798/p_048.html
http://noticias.terra.com.br/educacao/chile-estudantes-e-docentes-pedem-educacao-gratuita-e-de-qualidade,4efb42ba7d2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=109355:-escola-fundamental-na-favela-da-rocinha-no-rio-de-janeiro-usa-tecnologia-sapienti-para-saltar-para-o-futuro&catid=50:cat-demais&Itemid=331
Na história recente do Brasil, grandes empresas públicas, altamente lucrativas, foram privatizadas sem a menor cerimônia, como é o caso da Vale do Rio Doce. Outras, menores e menos lucrativas, também foram para a privada (não pude evitar o trocadilho), caso da Light ou da Barcas-S.A. A Vale cresceu, pois os investimentos se justificavam à medida que alavancariam sua lucratividade. Já a Light e as Barcas prestam serviços sofríveis, pois seja investindo ou deixando do jeito que está não vai alterar seus respectivos ganhos. Resumindo: como em qualquer outra empresa, pública ou não, o investimento é justificado pelo ganho esperado.
A educação privada é uma prestação de serviço. Assim como vamos à oficina consertar o carro e pagamos por este serviço, algo análogo acontece com as escolas particulares. Pensando por esse ângulo, se o proprietário do automóvel for abastado, leva seu Jaguar último tipo à autorizada e deixa lá uma pequena fortuna. Se for o dono de um fusquinha, leva na oficina da esquina. Assim também funciona com a educação. Há escolas cujas mensalidades são bem maiores que o salário do professor, e outras bem mais em conta. E a qualidade do serviço prestado costuma variar tanto quanto os valores cobrados. No fim da história, é o lucro que mantém tanto as oficinas quanto as escolas privadas funcionando.
Depois de tantos rodeios e explicações, vamos ao ponto: como funciona a privatização do ensino público? Conforme desenvolvemos até aqui, qualquer resposta deve ter por base a obtenção do lucro. O maior e mais próximo caso de privatização do ensino público ocorre no Chile. Por conta de uma série de medidas tomadas ainda no governo do ditador Augusto Pinochet, esse país possui um dos sistemas educacionais mais desiguais e caros do mundo (dados da Organização e Cooperação para o Desenvolvimento Econômico - OCDE). No país hermano, as universidades são pagas, e apenas cerca de 40% dos secundaristas estão no ensino público. Em 2011, milhares de estudantes e professores chilenos tomaram as ruas em protesto contra tal situação, e foram recebidos pela polícia com grau de violência que lembra muito os tempos de ditadura naquele pais (e no nosso, infelizmente).
Não é de hoje que grupos ligados aos empresários tentam privatizar a educação brasileira. Certamente deve ser uma excelente fonte de lucros para empresários e grupos especuladores, ávidos por engordarem seus cofres.
Pois o governo do município do Rio de Janeiro, que tem Eduardo Paes como prefeito e Cláudia Costin como secretária de educação, inaugurou a iniciativa de privatizar o ensino público da cidade. Por trás de uma série de siglas vazias de significado estão empresas de diferentes portes. Primeiro vamos às denominações: Ginásio Carioca, Ginásio Experimental de Novas Tecnologias, Escola do Amanhã, Ginásio do Samba, Ginásio do Esporte, Acelera, Se Liga, entres outras denominações ao gosto e imaginação dos burocratas que se reúnem na sede da prefeitura (prédio sem vistoria dos bombeiros nem habite-se, popularmente conhecido como "piranhão"). Todas capitaneadas pela dupla Paes-Costin. Aliás, Claudia Costin é uma economista que já foi ministra da Administração. Este, nada mais era do que um cargo burocrático criado para desburocratizar o funcionalismo federal! Com altíssimo grau de rejeição entre os profissionais do ensino, e acreditando com veemência que o professor brasileiro tem "nível muito baixo", a economista traça os caminhos de entrada de grandes empresas no processo de privatização do ensino: Fundação Telefônica|Vivo, Instituto Natura Intel, MSTech, Tamboro, Instituto Ayrton Senna, Instituto Conecta, Mind Lab, Microsoft, Sapienti, Cultura Inglesa, EvoBooks, Fundação Lemann, Cisco, Pete e Geekie. Para dourar a pílula, camuflam suas relações com o poder público por meio do código "parceria".
Aqui vale um adendo, o sistema de aula do futuro, também permeado por uma série de nomes sem o menor conteúdo (educopédia, escola 3.0, rioeduca, e outros), nada mais é que uma série de programas mequetrefes que qualquer grupo de estudantes de TI desenvolveria em troca de uma bolsa de iniciação científica (sou também programador, o que me habilita um pouco mais a analisar esse ramo). Porém, o "sistema" custou milhões e é uma bela tranqueira tanto do ponto de vista pedagógico quanto computacional. Notemos que a principal empresa desenvolvedora, MStech, já andou metida em maracutaias na Secretaria de Educação do Estado de SP, durante o governo Serra, com projetos aos moldes que estão implantando no Rio de Janeiro. Indo além, um de seus proprietários, Eduardo Martins Morgado, trabalhou no MEC, de 1996 a 2004, como consultor ad hoc na elaboração de editais e manuais técnicos junto à Secretaria de Educação a Distância - Programa Proinfo; também na elaboração de Editais de compras de microcomputadores e suporte às Comissões de Licitação, e como Coordenador Técnico do Projeto RIVED/MEC/UNESCO.
Com o currículo desse pessoal, há alguém que ainda acredite que a educação do Rio de Janeiro está trilhando o caminho correto? Será que empresas se metem na educação pública por caridade?
Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
Ler mais: http://namarianews.blogspot.com/2009/06/o-maravilhoso-mundo-dos-projetos.html#ixzz2N6NBCH3J
http://noticias.terra.com.br/educacao/chile-estudantes-e-docentes-pedem-educacao-gratuita-e-de-qualidade,4efb42ba7d2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
http://veja.abril.com.br/010798/p_048.html
http://noticias.terra.com.br/educacao/chile-estudantes-e-docentes-pedem-educacao-gratuita-e-de-qualidade,4efb42ba7d2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=109355:-escola-fundamental-na-favela-da-rocinha-no-rio-de-janeiro-usa-tecnologia-sapienti-para-saltar-para-o-futuro&catid=50:cat-demais&Itemid=331
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